
Por Lorena Esteves
Cerca de 30 batedores de açaí aprenderam boas práticas de manipulação do fruto, tradicional na cultura alimentar paraense, nesta quinta-feira (22). A ação é resultado da parceria entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), por meio da Diretoria de Feiras e Mercados (DFM), e a Casa do Açaí do Município de Belém, vinculada à vigilância sanitária da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma).

O diretor de Feiras e Mercados da Sedap, Manoel Rendeiro, conhecido por "Didi do Ver-o-Peso", ressaltou a importância da iniciativa. “Essa parceria, no sentido de capacitar o máximo de batedores de açaí, é muito importante para a gente levar essas informações, porque tem muita gente que pensa que basta chegar, botar o açaí na máquina e bater. Não é assim. Existem vários procedimentos para que se chegue ao ponto de consumo”, informou.
Lurdiane Silva, que trabalha em um ponto de açaí, resolveu fazer o curso para ampliar seus conhecimentos. “Desde o ano passado eu trabalho com uma senhora, dona do ponto de venda. Me interessei muito, e tô fazendo o curso pra poder ficar lá junto com ela, ajudando a bater o açaí”, contou.
Normas para o processamento - A palestra foi ministrada pela coordenadora da Casa do Açaí, médica veterinária Débora Barros, que ressaltou as normas do Decreto Estadual nº 326/2012, que estabelece normas rigorosas para o processamento artesanal do açaí (Euterpe oleracea) e da bacaba (Oenocarpus bacaba), visando à segurança alimentar e à prevenção da doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, encontrado nas fezes do inseto conhecido por barbeiro.

Foto: Divulgação
“A capacitação tem como objetivo orientar os batedores em todas as etapas de manipulação do açaí e da bacaba, para que o produto final tenha qualidade e seja livre de contaminantes”, disse a palestrante.
Segundo a médica, todos os profissionais que trabalham com manipulação e venda do açaí devem fazer a formação uma vez ao ano, para se atualizarem sobre as normas. Débora Barros informou que a formação é oferecida toda semana, incluindo as partes teórica e prática do processo. Ao final, o batedor ganha a carteirinha de manipulação de alimentos.

Foto: Divulgação
A parte prática é um dos diferenciais da iniciativa. O palestrante Heron Amaral, que também é batedor em um ponto de venda de açaí na capital, explicou o passo a passo. “A gente mostra, por exemplo, a função do peneiramento e da catação, porque, se eu não conseguir conter o barbeiro pode ir para dentro da máquina, e aí corre o risco de você esmagar ele lá na batida do fruto, e quem consumir possivelmente irá contrair a doença de Chagas”, disse o profissional.
Casas de Açaí - Segundo o diretor Manoel Rendeiro, há planejamento para criação de mais Casas de Açaí. “Nós estamos com o projeto pronto da criação de várias Casas de Açaí. E uma das propostas é colocar nas Usinas da Paz que foram entregues. Assim, fica mais fácil fazer as capacitações, tanto nos bairros da cidade quanto no interior, onde tiver Usina da Paz”, adiantou.
Formação no interior - De acordo com o coordenador de Boas Práticas do Açaí, Marivaldo Ferreira, da DFM/Sedap, outros municípios paraenses também receberão as formações, a fim de prevenir a disseminação da doença de Chagas. “As primeiras capacitações do ano estão previstas para a capital, mas nós vamos abranger também municípios de outras regiões de Integração do Estado. Os interessados podem entrar em contato com a nossa Coordenação de Boas Práticas do Açaí na Sedap”, orientou o coordenador.
Serviço: Mais informações sobre o Curso de Manipulação de Açaí podem ser obtidas pelos telefones da Coordenação de Boas Práticas do Açaí da Sedap - 3251-7979 e 3251-7939. As inscrições para o curso de boas práticas podem ser feitas on-line.